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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Fwd: versículos 84 a 108





Mensagem original
De: jose carlos lima < ideiasemarmario@yahoo.com.br >
Para: edson_barrus@ig.com.br
Assunto: versículos 84 a 108
Enviada: 16/12/2005 12:51


88 Pois não quero ir para esta tua festa pobre
Quem disse isso foi o Cazuza=spin cantor=compositor=humano
Vai ver que sofro de SEV – Síndrome do Escritor Virtual
Assim como o poeta Alberto Carmo
Leia, no versículo seguinte, a poesia dele
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89 Síndrome do escritor virtual
por Alberto Carmo
O advento da Internet abriu tantas possibilidades. Logo de início pensei: - Isto aqui vai mudar o mundo! E mudou. Mas nem tudo foi um mar de rosas. Com o surgimento dos sites literários, vi ali uma oportunidade única de obter visibilidade.

Aos poucos já estava postando meus textos em 5 sites, depois 10, depois 20, depois... quantos mais? Somava os contadores de acesso, de "hits" - dois mil num, cinco mil noutro, sete mil naquele. Imaginava-me um best-seller virtual, lido milhares de vezes, até admirado talvez. Já pensava em editar um livro, produção própria com meus trocados.


Foi quando me surgiu um problema físico: apareceu uma infecção no meu umbigo. Não liguei no início - devia ser alguma micose passageira. Foi na época em que passei a participar dos chamados egroups de literatura. Cada site onde publicava meus textos parecia ter seu próprio egroups. Subscrevi-me em todos que pude. Devo ter chegado a uns quinze ou mais. Embora minha caixa de correio ficasse inundada de mensagens - que eu apagava através do webmail - isso não me importava. Valia mesmo é estar sendo visto, exposto. Mal acabava um texto novo e saía postando a obra-prima tão rapidamente nos grupos que faria inveja ao mais veloz carteiro. Agradava-me receber elogios por um ou outro texto. Fui sempre pródigo nos agradecimentos. Não que eu lesse os textos dos que me elogiavam ou dos demais participantes - não tinha tempo para tanto, eram muitos sites e grupos a visitar e publicar-me - mas, definitivamente, agradavam-me os elogios.

Nessa ocasião, meu umbigo inchou até atingir o diâmetro de uma acerola. Aconselhado por uma amiga de escritos que também publicava nos mesmos sites que eu, e cujos comentários sempre agradáveis que trocávamos causavam-me um efeito prodigioso, resolvi procurar um médico, um clínico geral. Receitou-me um antibiótico e outras pílulas mágicas que passei a tomar diariamente.

Por força da amizade que acabei por cultivar com webmasters e amigos detentores de alguns sites, meus textos pululavam já em vários sítios virtuais. Foi quando me dei conta da enorme dificuldade que passara a ter na digitação dos textos. Meu umbigo agora assemelhava-se não mais a uma acerola, mas a uma jaca das de bom porte, fazendo com que eu precisasse digitar com os braços completamente esticados, visto que meus ombros afastavam-se do teclado cada vez mais. Meu clínico disse não saber como tratar meu avantajado nó de nascença somatizado e recomendou-me a um psicólogo seu amigo.

Em lá chegando, no consultório do douto terapeuta, notei-lhe um riso disfarçado no canto da boca. O diagnóstico foi quase instantâneo - percebi que meu caso não era de todo desconhecido pela ciência. Além de um calmante da moda, sugeriu-me que participasse de algum grupo, o que quase me causou uma overdose de gargalhadas, posto que, naquela altura, era presença constante em boas dezenas de grupos.

- Toma assento! - ralhou ao feitio de minha avó. E foram suas últimas recomendações antes de engordar-lhe a carteira às custas de um regime forçado na minha. Pelo sim, pelo não, abandonei todos os grupos que freqüentava. Todos, exceto um: o primeiro, o pioneiro do meu mergulho no mundo da visibilidade maximizada.

Convalescente, passei o dia inteiro conectado no egroups "gazeteiros da literatura". Li dezenas de textos - uns bem escritos, outros nem tanto. Porém, percebi que de cada um poderia extrair alguma experiência, ainda que fosse o que não fazer. Teci comentários e recebi outros tantos. Percebi que ao escrever, muitas pessoas colocavam ali suas almas, seus sentimentos, suas buscas, sua vontade de crescer em comunidade, sem preconceitos de retórica nem desvarios de prolixidade.

Lá fiquei, apenas lá, até hoje. Notei que textos dos quais eu não gostava, às vezes provocavam emoções, reações, coisas que jamais recebi dos colegas, meus semelhantes das antigas plagas, cujos comentários vazios de emoção seriam os dos talvez únicos a comprar alguma coisa que eu publicasse. Ali pude ler textos de anônimos amadores, diante dos quais eu não passava de mero aprendiz, e não estagnar no meu parco conhecimento, nem permanecer na minha mesmice egoísta. E sentir a reação dos que realmente seriam leitores de uma eventual arrancada minha no mundo real das letras. Passei a ser lido não pelos milhares imaginários de outrora, mas por poucas almas atenciosas, sinceras e, acima de tudo, normais, distantes do círculo vaidoso que eu habitara.

Desnecessário dizer que meu umbigo sofreu brusca redução, passando a habitar a pequena cratera central de minha barriga, num tamanho não superior ao de uma azeitona média.
O período de repouso fez-me recordar as longínquas aulas do meu primário, quando, como reprimenda, tantas vezes a bondosa professorinha mandou-me escrever na lousa, não menos que 10 vezes: - Não devo conversar durante a aula!
Abri meu Word, selecionei Arial 50 e comecei a digitar em negrito:
- Grupo, grupo, grupo, grupo...
* * *
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90 Será que sofro desta doença do Alberto Carmo
Afinal de contas, sofro de poesia ou patologia?
Só os médicos podem dizer=olhar=ser e, como não dizem, uma vez que diante de um eletrocefalograma eles não enxergam nenhuma beleza a não ser a necessidade de uma lobotomia=bototomia=bobalização, assim vou eu.... assim....triste....padecendo de todas as doenças do mundo
Faze=fazer o que=quê
Faze ... um momento.... estou tentanto escrever um acento circunflexo=chapéu em faze mas quando dou espaço=enter o acento apaga
Faze o que?
Assim não dá... será que tenho que obedecer às ordens deste computador?
O que eu estou fazendo?
Fazes o que?
Estou tentando colocar um chapéu no e
Um acento no "e"
Que horror este computador
Só faz o que!!!!
Não obedece à minhas ordens=vontades
Então fica como está... assim.... errrado... a este respeito ouça a música "faze o que?' , não sei ao certo quem é o autor.... está no Cd/dvd "Vagabundo" ou Olhos de Farol, de Ney Matogrosso.... se for no "Vagabundo" é o Ney & Pedro Luis e a Parede
Faze o que?
Gostaria tanto de ser objetivo=curto=grosso
Gostaria de ter lugar certo
Afinal de contas, hoje, até endereço é outra coisa
Era tudo tão claro
Hoje as coisas já não são tão claras
Cadê a objetividade?
Hoje, nem mesmo o beijo é objetivo=certeiro
Cadê?
Hoje endereço é coisa incerta
Eu mesmo já tive uns endereços
E nomes
Endereços e nomes tão estranhos!!!!!
Nome: Idéia Sem Armário
Nome: Idéia Sem Parede
Este último endereço, por exemplo, nunca entrou na minha cabeça
Até hoje não sei sé o troço é idéias em parede @ ou idéia sem parede @
É tudo tão estranho!!!!
Que tal procurar um psiquiatra?
E o escritor Alberto Carmo = lenno@netpoint.com.br não fez isso?
Coitado...
Ele voltou a ser criança
Este é um dos sintomas da SEV
O umbigo dele começou a crescer
E cresceu tanto que ir para o pronto socorro de onde foi encaminhado para um psicólogo e, assim, curou=salvou-se da sua SEV=síndrome=sofrimento
E você já pensou que coisa feia um adulto com umbigo de recém-nascido?
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91 E foi assim
Navegando pela internet que encontrei muita gente legal
Do Edson Barrus ao último, este, o Do Carmo=umbigo
e como cheguei a este escritor que nem conheço?
Através de um sonho
Foi por causa da rejeição
A História da Exclusão
Foi por ter sido excluído do Natal de M
Fiquei tão triste que morri de vontade de, naquele momento, ter um amigo=amiga real
E após o expediente entrei na primeira construção que encontrei
Pensei: quem sabe aqui eu encontre alguém para conversar?
Afinal de contas aquele militar quase me matou
Quem sabe, eu possa conversar com um mendigo, um morador de rua, um pedreiro? Afinal de contas no sertão é assim... você pode conversar com qualquer um... sem medo de ser morto=estrangulado=enforcado....
Engraçado.... mas, mesmo no sertão... a gente só conversava com conhecidos
Me lembro que já me escondi no mato para fugir de qualquer contato com esta civilização....
Foi assim....
Eu vinha vindo do riacho, quando oscultei=escutei=senti uma estranha presença
Era gente
Sei lá
Não me lembro se cheguei a vê-los
Só sei que corri pra dentro do mato
E fiquei escondido atrás de uma árvore mas de olho no caminho, por onde aquilo, aquela coisa, que não sei se eram pessoas ou coisa do outro mundo, haveria de passar
E, estupefato, vi
Vi uns homens vestidos de peles estranhas
Depois vi que não eram peles mas roupas
Eles carregavam uns apetrechos
Depois que eles passaram saí do mato e voltei para casa
E me falaram que era uns cientistas=desbravadores
Se não me engano, gente da FUNAI=SUDENE, sei lá
Só sei que dias depois fui tomar banho e eles estavam lá
Eram uns 10
Roupas estranhas
Uns apetrechos....
Por vários dias os observei por dentre as frestas do mato
Até que um dia, talvez atraído por aquelas coisas, quem sabe eles me dariam um daqueles troços, talvez um espelho=pente=facão de presente?
Aí cheguei mas assim, passando lá por longe
Chegar perto nem pensar
Eu, usando uma tanga de embiras=mato, cheguei à água
Se tomei banho?
Não...
E o medo daquela gente vestida=armada até os dentes=olhos=seres?
Me aproximei do pequeno riacho de água salobra=sem doce
E tomei banho
Mas apenas os pés
E o medo daquela gente?
E enquanto lavei meus apenas meus pés, vi que eles conversaram algo entre si
A impressão que tive é de que eles me acharam estranho
Naquele momento, pensei que eles tivessem estranhado o fato de tomar banho lavando apenas o pés
Tipo assim... e o resto?... não vai lavar=limpar?
Voltei pra casa assim mesmo
Hoje desconfio que eles estranharam não meu banho mas minha roupa
Afinal de contas eu estava usando uma espécie de saia de embira=fibras vegetais
Claro.... era o costume=cultura da tribo=família
Só sei que nunca mais voltei lá
Afinal de contas quem gosta de ser visto assim
Como se fosse coisa de outro mundo
Voltei sim
Mas quando gente que havia passado por lá, me disse que eles haviam ido embora
Ai fui correndo
Fui para ver o que eles haviam deixado
Seus sinais
Seus cheiros
Suas armas=olhos=seres
E encontrei um bocado de coisa
Embalagens
Cada coisa bonita
Tudo embalagens
Me lembro de latas de sardinha
Era só a embalagem
Mas fiquei dias e dias olhando aquele peixe desenhado=pintado naquela lata=embalagem
Sinais de um mundo estranho
Este mundo onde hoje vivo=olho=sou
Verdito=veredito=resposta
( x ) cancelar.
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